01/12/2009

“Não tinha teto, não tinha nada”, ou não

                             Por Shismênia Oliveira, Érica Cristine, Larissa Souza

O que para muitos não passa de um trecho de uma canção infantil, é a realidade de muitos brasileiros, que não têm casa e ocupam o espaço público. Os chamados moradores de rua improvisam moradias, e sustentam o teto de plástico com a esperança de uma vida melhor.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não inclui moradores de rua no censo, pois estes não possuem moradia fixa, e obter um número exato de pessoas nessa condição se torna um trabalho mais detalhado.

Segundo dados da Secretaria de Estado e Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), no último levantamento realizado entre janeiro e junho deste ano, dos 1.545 moradores de rua do DF, 64% eram adultos, 24% adolescentes e 12% eram crianças.

Vida sob lonas

Agentes da Sedest fazem rondas diárias em pontos críticos do Distrito Federal com o objetivo de convencer os moradores de rua a irem morar em um dos cinco abrigos públicos existentes na região.  Mas ninguém é obrigado a sair das ruas.

“Os abrigos são piores, só tem o que não presta, pelo menos aqui a gente tá em família, e somos todos trabalhadores”, se defende Nilta Paiva dos Santos, 49. Além de conversarem sobre o abrigo, os assistentes sociais sugerem outros meios de se ganhar dinheiro. “Os catadores do Riacho Fundo que se associaram a cooperativas ganharam casas do governo”, explica a assessora de comunicação da secretaria, Marina Junqueira. Por outro lado a moradora que prefere ser chamada de Lúcia diz que eles apenas destroem as coisas e não trazem proposta de ajuda.  “Só tenho a ajuda de Deus para trabalhar”, afirma.

O Núcleo de Atendimento ao Migrante foi uma alternativa criada pela Secretaria para diminuir o número de moradores de rua. Ele se localiza na rodoferroviária e oferece passagens gratuitas para quem quiser voltar para a terra natal. O núcleo faz atendimento às pessoas que chegam a Brasília em busca de tratamentos de saúde, trabalho e documentação. Os migrantes ainda podem contar com serviço de orientação, acolhimento e abrigo.  “Na minha cidade só tem roça, e é melhor passar aperto na cidade do que no interior. Eu não quero voltar”,diz Joselita Socorro, 45, alagoana que mora há mais de seis anos na invasão de Taguatinga.

Estadia provisória

A rua também é lar de quem tem casa, mas não tem dinheiro. Eles são considerados moradores de rua, por que vivem temporariamente debaixo de lonas. “De dia a gente tem que tirar a lona, por que se não a fiscalização tira. Mas quando chove a gente tem que colocar, mas mesmo assim, molha tudo”, desabafa Edinalva Oliveira.

A moradora de Brasilinha, município próximo de Planaltina-DF, é casada e tem dois filhos. Segundo ela, na cidade em que mora não há opção de trabalho. “Eu não trabalho em Brasilinha porque lá é muito difícil de ter emprego, fico triste quando falta comida em casa. Lá você procura uma roupa pra lavar, uma faxina pra fazer e não acha”, desabafa. Ela paga R$ 100 de aluguel. “Eu pago meu aluguel com o dinheiro da reciclagem e meu marido também ajuda”, afirma. Segundo ela, gastar R$ 8,50 de passagem todos os dias para ir e voltar para casa é praticamente impossível.

Edinalva saiu de Irecê, na Bahia, há dez anos e confessa ter vontade de voltar, mas não dá por falta de dinheiro. “Eu tenho móveis  em casa, a mudança ia ser muito cara. Na minha cidade passei aperto, mas sempre trabalhei. Lá as pessoas vivem do trabalho na roça, mas meus  filhos não querem voltar para lá, porque aqui têm emprego”, lembrou.  Ao ser questionada sobre as condições de vida na capital federal, a  catadora confessa que “na cidade não se passa fome, é melhor passar aperto aqui do que no interior. Em Irecê você tem que plantar, colher e viver daquilo. Aqui  já tem tudo pronto. O lixo da cidade é rico”. Sua amiga Nilta interrompe e diz que “Brasília é pai e mãe”.

Edinalva estudou até a 1ª série do ensino fundamental, e seu marido que lhe ensinou a escrever o nome. “Me incomodo de ter casa e ser vista como moradora de rua, mas tenho que trabalhar honestamente”, diz a catadora 

comovida. Sobre o fato de passar a semana nas ruas, debaixo de lonas em invasões, ela afirma que prefere ficar nesses lugares a ir para abrigos do governo.Segundo ela, os albergues não oferecem segurança alguma . “Os agentes da Sedest são agressivos e quando chegam aqui levam tudo, não querem nem saber”, conclui Edinalva.

Alternativa econômica

O trabalho informal faz parte da rotina dessas pessoas e os ajuda a pagar as contas do mês. “A gente vende o material de quinze em quinze dias, às vezes até mensalmente, e dependendo do trabalho dá para ganhar uns 300 reais”, conta Gilson Bezerra, 43.

Em uma das cinco famílias está Gilson Bezerra, pai de dez filhos, e que apesar de possuir casa própria no Jardim Ingá-Go, se vê obrigado a passar a semana na invasão. “A passagem é muito cara, é melhor passar a semana aqui”, relata o catador. Durante esse período o trabalho dele é colher materiais recicláveis, como papelão e latinhas, e nos finais de semana vende artesanato junto 

com a esposa em feiras locais. “Queria aposentadoria, não me deram, não tenho a quem pedir, vou trabalhar enquanto der”, afirma. A renda que obtém como catador o auxilia em seu tratamento cardíaco, e frequentemente precisa ir ao médico. A consulta é particular, pois não conseguiu vaga na rede pública, e a cada visita Gilson precisa desembolsar R$ 190. O dinheiro ás vezes não é suficiente para cobrir todos os gastos, e ele precisa da ajuda das filhas. Três filhas vivem na invasão e são catadoras.

Políticas de solução

Entre os benefícios que a Sedest oferece estão o Auxílio Aluguel, que ajuda quem não tem condições de 

pagar (embora o benefício dure apenas três meses), passagem de volta para a cidade natal e abrigo em albergues, como a Casa de Passagem “Conviver”, no Setor de Garagens Oficiais Norte. No local as famílias passam o dia e recebem alimentação e tratamento médico. São oferecidos ao todo, 26 programas sociais para retirar as pessoas das ruas.

Sem esmolas

A Sedest  afirma que a ação é difícil por que alguns moradores de rua  não aceitam os benefícios. Segundo a assessora de comunicação da secretaria, Marina Junqueira, a maioria deles prefere permanecer onde estão, pois alegam que ganham mais do que se estivessem em abrigos. Ela diz também que a população contribui para a permanência dessas pessoas em tais locais. “A comunidade ajuda, e assim eles preferem ficar lá”, completa a assessora. 

A prática do “esmero”

Com a intenção de praticar a inclusão social e o progresso da qualidade de vida dos moradores de rua, foi criada uma proposta em 2006: a Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua.

Ela tem por objetivo refletir a maneira de sobrevivência de tais moradores em áreas públicas, e tentar combater a desigualdade social, instituída pelo capitalismo. A exclusão trazdanos morais, e facilita o desinteresse pelo trabalho, destrói laços familiares e comunitários.

Feita pelo Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), composto por alguns ministérios, como o Ministério de Desenvolvimento e Combate à Fome e Ministério do Trabalho e Emprego, além da Secretaria de Direitos Humanos, e representantes do Movimento Nacional de População de Rua (MNPR), a Política apresenta alguns princípios e diretrizes que elaboram a mudança da ação pública às questões da população.

Porém, a transparência dessas garantias não chega aos moradores. “Nunca ninguém veio aqui procurar a gente para arrumar emprego”, conta Gilson Bezerra. “A assistência social vem aqui só para fiscalizar e levar tudo que conseguimos no dia com a reciclagem”, desabafa o morador da invasão de Taguatinga.

Apesar de haver o consentimento por parte do governo, os moradores reclamam da falta de incentivo.Alegam que fazem parte do Brasil, e merecem dignidade. “Na hora de votar é a gente que coloca eles, mas depois a gente não recebe nada em troca, só miséria”, diz Ednalva Oliveira.

Para muitos o trecho “na rua dos bobos, numero zero”, da música de Vinícius de Moraes, pode ser engraçado. Mas na realidade não é nada fácil ser considerado bobo, enquanto merecem ser considerados brasileiros.

01/12/2009

A trajetória de Fábio Mota

Ele estava sentado na lanchonete de sua faculdade, quando cheguei, por volta de 9h30 da manhã, do dia 5 de outubro de 2009. Um pouco cansado, Fábio Mota da Silva começou a contar sobre sua vida. Lembra-se do passado sem muito entusiasmo, revela detalhes da juventude que o tornaram independente logo muito cedo.

O sorridente Fábio Mota

Rapaz de 23 anos, estudante de jornalismo, também bilheteiro em um cinema, nasceu em Canoas, no Rio Grande do Sul. Morou boa parte de sua infância com a avó materna em Imperatriz (MA), os pais separaram quando ele era criança. A mãe fora para Brasília (DF), o pai para Porto Alegre (RS). Como não conhecia o pai, Fábio Mota viajou ao sul do país para conhecê-lo.

Com 19 anos o jovem decidiu morar sozinho. Desde então, vive em um simples apartamento na cidade satélite Riacho Fundo, e mesmo trabalhando de domingo a domingo, consegue lidar com os afazeres domésticos. “Meu apartamento tem vista privilegiada de Brasília, quando tenho tempo livre prefiro ficar em casa, ou ir a eventos culturais, como teatro e exposições”, diz Fábio Mota.

O estudante, trabalhador, tem amizades que fazem superar a ausência de sua família.Os amigos o consideram “um cara batalhador, que cativa às pessoas pelo seu bom-humor e generosidade”, afirma Paulo Henrique Xavier, amigo de Fábio Mota há cinco anos.

Sempre teve o sonho de ser um jornalista conceituado, e seu objetivo é trabalhar na área de telejornalismo. Para aperfeiçoar seu currículo, Fábio Mota pretende passar uma temporada em San Diego, Califórnia (EUA), a fim de estudar línguas, em uma escola preparatória.

24/06/2009

Guia para se tornar um herói: A jornada do Escritor

O livro “The Writer’s Journey” (A Jornada do Escritor), do roteirista e escritor Christopher Vogler, foi publicado em 1997, nos Estados Unidos. A obra foi traduzida para a língua portuguesa em 2006 pela escritora e jornalista Ana Maria Machado.

Christopher Vogler, um homem de precioso valor em roteirizações, trabalhou para grandes estúdios, como Walt Disney. Ali, foi consultor dos longa-metragens “ABela e a Fera” e “O Rei Leão”. Também trabalhou na Warner Bross e 20th Century Fox.

“A Jornada do Escitor” apresenta uma leitura divertida e de fácil entendimento. Por citar inúmeros exemplos de filmes e fazer analogias de estruturas míticas com histórias contempôraneas, torna as narrativas poderosas e mexe com a inspiração do leitor. Tanta praticidade exposta ao leitor trorna o livro grande e desnecessário. Fala sobre um assunto, logo à frente retoma-o.

Entretanto, quem tiver interesse e quiser explorar as pesquisas do mitólogo Joseph Campbell, é só mergulhar na leitura de Vogler. “A Jornada do Escritor” compõe traços marcantes das ideias de “O Herói de Mil Faces”, o precioso livro de Campbell. Reseume, basicamente como entender as histórias contadas, que são sempre as mesmas, independente da forma e da quantidade apresentada. Para uns, o “guia prático” de Vogler tem o objetivo de despertar o imaginário do leitor, trazer inspiração e orientar a escrita. Outros o consideram “detector” de acertos e erros. Isto é, revela uma crítica de nós mesmos.

A primeira parte do livro comçea a tratar dos arquétipos da história: tipos de relações e de personagens. Na maioria, devem aparecer herói, mentor, guardião de limiar, arautos, camaleão,sombra e pícaro. Todos com sua característica e importância. Esses arquétipos podem ser vistos como qualidades humanas. Cada pessoa possui um perfil, uma “máscara”, e pode se encaixar nos citados anteriormente. Eles estabelecem um guia essencial para escritores e roteiristas refletirem e elaborarem seus personagens.

O Estágio Dois, contém o “Chamado à Aventura”. O herói passa por uma transformação, é desafiado a seguir uma niva aventura, uma vez saindo do Mundo Comum em direção ao Mundo Especial. O objetivo do herói é estabelecido nessa hora, pode ser resgatar uma pessoa sequestrada, lutar contra um crime que o cerca, ou o reencontro com o amor. É retirada da vidaq do herói a tranquilidade e a mesmice. Um novo mundo o espera. Opersonagem pode, também, não aceitar o convite à aventura. É o que mostra o Estágio Três, “Recusa do Chamado”. De primeira instância, o herói recusa o chamado, hesita. Pensa na possibilidade de haver outra solução sem passar pelo perigo.

Mas é só com a ajuda do Mentor, apresentado no Estágio Quatro, que o herói transcede seu espírito corajoso. Pode aparecer como um velho sábio, ou como um amigo do personagem. As cenas, geralmente, são passadas em bares, lugares movimentados. O Mentor tem a função de dar um “empurrãozinho” no herói, mas só até certo ponto. A partir daí, a ação se torna individual. Com a ” Travessia do Primeiro Limiar”, no quinto Estágio, o herói passa, definitivamente, para o Mundo Especial. É o começo do desdobramento da história. Vem à tona os desafios e as consequências da aventura. Marca a passagem do primeiro ato para o segundo.

O desafio é eletrizante, deixa o herói convicto da necessidade de susas ações. A partir desses ” Testes, faz Aliados e Inimigos”, que traz no Estágio Seis. Têm-se as alianças e as inimizades. Por vezes, o herói pode “quebrar a cara” com algumas pessoas, mas isso faz parte do aprendizado de sua exposição. Com a chegada do Estágio Sete, o herói fica frente a frente com o perigo. Na arpoximação da Caverna Oculta, que recebe esse nome por causa da mitologia, representa a “terra dos mortos”. No oitavo Estágio, ” A Provação”, o medo toma conta e a luta começa. O público fica na expectativa e em dúvida com o final do confronto.

A vitória do herói garante a ” Recompensa”, Estágio Nove. Consegue apanhar o causador da aventura, seja o amor, o amigo, ou um milhão de dólares. A palavra herói ganha força, depois do personagem ter passado por difíceis obstáculos. Mas essa conquista traz consequências. No “Caminho de Volta”, décimo Episódio, reaparecem os inimigos com muito mais fúria. Eles tentam resgatar o que lhes foi tomado.

A segunda tentativa de morte pode vir à tona, ou haver a “Ressurreição”, no Estágio Onze. É um desfecho do perigo que corre o herói. Mais uma vez tem que  lutar para, realmente, possuir o propósito de sua viagem ao Mundo Especial. Por fim, o herói vence, e ocorre o “Retorno com o Elixir”. Espécie de lição, ou recuperação de algo que o faltava. A experiência pode ser útil a ele ou a outras pessoas.

Algumas obras são destacadas em ” A Jornada do Escritor”, como “Guerra nas Estrelas” e ” O Mágico de Oz”. O livro apesar de ser uma leitura cansativa, expõe detalhes riquíssimos para a elaboração de roteiros, textos, e de uso para outros profissionais.

24/06/2009

Aprovação não agradou o Quarto Poder

Manifestantes em frente ao STF

Manifestantes em frente ao STF

O STF (Supremo Tribunal Federal), aprovou no último dia 12, por oito votos a um, o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercer a profissão. A aprovação foi feita pelo presidente da Corte, Gilmar Mendes, e outros ministros, contra  um voto do ministro Marco Aurélio Mello.

O “queridinho” do STF, Gilmar Mendes, questionou a restrição da liberdade de expressão e informação de pessoas que não aderiram ao curso de jornalismo. O engraçado de todo esse alvoroço é que a liberdade de expressão nada mais é do que “o direito de manifestar livremente opiniões, ideias, e pensamentos.” Mas o jornalismo é opinião? Não. Jornalismo é lidar com fatos reais e transmitir as informações à sociedade. Na academia universitária se aprende técninas, há um foco na ética profissional.

Tantas outras coisas para se preocupar, os ministros acabam por atrapalharem a vida de nós jornalistas. É um empecilho desnecessário na história do jornalismo do país. A anulação do valor do diploma foi feita pelos ministros por motivo de vingança. Afinal a democracia e a liberdade de imprensa coloca os atos dos políticos a olho nu. Temos acesso às atitutes que eles fazem para o progresso (ou regresso) do país.

Gilmar Mendes ainda comparou a profissão de jornalista com a de chefe de cozinha. “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, afirmou o presidente da Corte. Será mesmo que para fazer uma matéria jornalística é tão fácil como preparar um prato típico brasileiro, como o arroz e o feijão? Ele não sabe o que diz. O jornalismo é um dos cursos mais importantes das universidades. É compromisso, um matrimônio com a sociedade. Não pode ser desconsiderado o diploma agora nos “45 minutos do segundo tempo”. Tem os primórdios jornalísticos, os avanços, costumes.

O impacto dessa decisão não tratá muitos frutos na oferta de emprego. Por motivos de qualificação e especialização, empresas não contratarão qualquer pessoa sem formação na área.

A aprovação do STF trouxe revolta a estudantes, jornalistas e sindicatos que manifestaram em todo o país, na segunda feira (22). Em Brasília, ocorreu em frente ao Supremo Tribunal Federal.

21/06/2009

Observação aos “amigos”

Foto:Renata Rodrigues

Esse sufoco dilacerado está tomando conta do meu ser. É um descontentamento, e ao mesmo tempo tranquilidade. Não sei o que se passa, é estranho. Penso muito na vida, na minha vida.

Falta um otimismo, uma força de vontade, expectativa. Sinto-me um pouco isolada, acho que ninguém consegue me entender. Amigos, não sinto-os perto de mim. Às vezes, uns dão conselhos, me fazem rir, chamam para sair. Qual o ar da graça? Isso é momentâneo. Não me satisfaz, não esse significado de amigo.

Tenho uma forma de olhar as coisas diferente de muitos. OBSERVAR , isso falta nas pessoas. Sei quando uma pessoa está triste, se é pessoa confiável, ou simplesmente quando repete roupa no dia seguinte. Por isso que não tenho tantos amigos, nunca tive. É igual aquela velha frase “(…)mas nunca abra mão de uns poucos e bons.”  Gosto dos meus amigos, os de verdade.

Não sinto falta de ser “a queridinha da turma” , sou assim, um pouco “careta” com a vida. Tenho muito a aprender, mas as pessoas também. Sou tão na minha, por que que as pessoas insistem em passar por cima de outras?Mostrar beleza onde não existe? Dinheiro? Não precisamos de nada disso. Onde está a capacidade do ser humano de amar o proximo? De tornar uma amizade a jóia mais preciosa de nossa existência? São perguntas que vagam pela nossa sociedade mais hipócrita a cada dia que passa.

18/06/2009

Descuido de um herói

A infância é uma etapa de nossas vidas em que a imaginação corre solta. É fantasiar um mundo de bicho papão no escuro, criar amigos imaginários, brincar de casinha, viajar nas aventuras do super–herói. Trazido à nossa realidade, desde sempre.

O corajoso e desafiador super-herói encanta nossos corações. Seja o Super Homem, ou o Homem Aranha. Entretanto, o que mais me fascina é o super- Pai. Pai-herói, Pai-brigão, Pai-ciumento, entre outras peculiaridades.

É admirável a proteção que esses bons homens têm com seus filhos. Não sinto esse “gostinho”. É como se fosse um horizonte distante, um abismo sem fim.  Nada muito convencional, ou desejado. A solidão mistura-se à vontade incessante de querer ter, estar junto, sentir um cafuné. Até mesmo um puxão de orelha, um grito. Só para sentir, acreditar que é real.

As pessoas possuem qualidades e defeitos, não julgo ninguém, nem mesmo o “oculto herói”.  A bondade toma-o conta, é homem de bom coração. Faz tudo para agradar o próximo, principalmente a filha que tem. É digno. Infelizmente a brandura não serve a si mesmo. Causa mal a ele e aos outros em sua volta.

A vida prega peças, deixa-nos à beira do perigo. Precisa-se ir à luta, tentar, falhar, mas nunca desistir. Nem sempre é o que acontece. Nunca tive um herói do meu lado, ensinado as controversas da vida. Por vezes, a precocidade madura me consome.

O problema não se resolve, acho que não tem solução. Mas tenho a intuição de que posso tirar alguns proveitos. Só quero guardar coisas boas. A lembrança  ajuda a reaparecer todos os momentos felizes. Se pudesse faria tudo, sou incapaz. Cabe a Deus cumprir Suas funções. Amo-te como se fosse a única coisa a amar. Tenho fé : a paz resgatará eu e você.

06/06/2009

Lenine,em Brasília

Lenine entusiamado com o público

Lenine entusiasmado com o público

Um dos melhores cantores de mpb da história, o pernambucano Lenine, apresentou seu novo trabalho nessa sexta-feira (5), em Brasília, no auditório do Centro de Convenções Ulisses Guimarães.

 O cantor entrou ao palco acanhado, e foi se soltando à medida em que sua voz tomou conta da imaginação do público. Foi uma absorção recíprova. As pessoas se identificaram com as músicas. Lenine, com a reação da platéia.

 As composições do novo álbum , “Labiata”, retratam um pouco da “consciência” ambiental, junto com as tranformações no âmbito do amor, dos fatos do dia a dia. O título é bem sugestivo, significa um tipo de orquídea, com uma beleza exuberante, encontrada em várias partes no mundo. Mas pode ter um significado mais simplista, labuta, ou mesmo lábia. É o que Lenine procurou destacar em seu trabalho: diversidade, beleza e simplicidade. A própria musica popular brasileira é inserida dessa forma, e está cada vez mais resitente às mudanças musicais da modernidade.

 O espetáculo foi emociontante, as pessoas não se conteram em ficarem sentadas e foram à frente do palco. O cantor se soltou e ficou fascinado com o calor, humor, e a energia da pessoas. Foi o clímax do show.

 O evento mostrou que o público brazieliense está antenado e presente na cultura da cidade.

21/05/2009

O que pode ser feito em meio a tantas divergências

 Suborno

O exercício da profissão de um jornalista é informar os cidadãos sobre os fatos que ocorrem em nosso cotidiano. É mais que justo. Todos por dentro dos assuntos para tirar conclusões e discutir sobre os diversos pontos de vista.
                 

O jornalista tem fácil acesso a informações de interesses sociais. Por conseqüência, não pode publicar reportagens que prejudiquem as pessoas. Elas são o maior poder da sociedade, a voz do povo é a que prevalece. O jornalismo acontece devido à grandiosidade da participação popular.
                

 A apuração e divulgação é responsabilidade do veículo transmissor. Para tanto, existe o Código de Ética, um “freio” para os mais apressados. Ele possui leis que defendem e contrariam atitudes jornalísticas. Mesmo atuando para o bem profissional, a “Constituição” dos jornalistas não é seguida por todos da área. Assim como todos os cidadãos se comportam com o uso da Constituição Civil. Muitos são infratores, não obedecem as normas do “Quarto Poder”.
     

Na vida, nada é perfeito. Em todas as profissões, há deslizes e existem pessoas que cometem erros. Isso se deve à evolução do homem, quase certo de seu instinto. Uns cometem falcatruas por simples prazer, para obter prestígio, não só pessoal mas, principalmente, social. Todavia, existem pessoas que falham com o intuito de mostrar a verdade a um grupo específico. Ou melhor, a um público que se interessa e se encaixa no assunto.
         

O compromisso fundamental é com a verdade no relato dos fatos. Saber ser ético na atuação é estar defendendo o povo. É ele que faz a imprensa se tornar efetiva e importante na realidade de um mundo parcialmente digno em suas ações. Um repórter que suborna fontes perde seu valor,é ridicularizado. Se desqualifica e se torna mais um nos lixos públicos brasileiros.

21/05/2009

Criações de um gênio

Shattered Glass

O gênio Glass

O filme “Shattered Glass” (O preço de uma verdade), de 2003, dirigido por Billy Ray, nos Estados Unidos, é baseado em fatos reais. Mostra a vida de um jovem gênio, Stefhen Glass, interpretado pelo ator Hayden Cristensen. Suas idéias eram muito interessantes, com boa capacidade de criação, ele passou de um mísero redator para um prestigioso e importante cargo da conceituada revista “The New Republic”, em Washington. Conquistou o humor dos companheiros, garantindo-lhes boas risadas, devido à grande facilidade com as matérias apresentadas.
              

Entretanto, depois de publicar o artigo “O paraíso dos hackers”, história de um garoto de apenas 12 anos que manipulava a empresa de software em que fora contratado, chamou a atenção da revista “Forbes Digital Tool”. O jornalista Adam L. Penenberg (Steve Zahn), desta mesma revista foi pressionado pelo seu chefe por não ter feito a cobertura do assunto. Então, resolve pesquisar sobre a notícia dada por Glass. Acabou descobrindo que as fontes eram falsas, juntamente com os lugares, até o próprio hacker. A “Forbes” logo comunicou ao Chuck Lane (Peter Sarsgaard), novo editor da “The New Republic” sobre o estranho artigo. Chuck, desconfiado, começa investigar o caso e  pressionar o jovem redator a confirmar as fontes. Tentando contorcer a situação, Glass coloca seus colegas de trabalho contra o editor, acusando-o de nunca se expressar diante de suas matérias e de não acreditar na sua competência. Aliás, Chuck não era bem aceito na equipe por ter entrado no lugar de Michel Kelly, editor que lutava pelos seus redatores.
            

Stefhen Glass foi suspenso pela revista por dois anos, mas o editor não se contentou com a única publicação falsa e foi atrás de mais mentiras. Acabou descobrindo que 27 de suas 41 publicações eram parcialmente ou totalmente forjadas. A “The New Republic” se desculpou com os leitores. Ocorreu a demissão definitiva do famoso gênio. Assim, os integrantes da revista acreditaram nas falsificações e reconheceram Glass como o grande mentiroso.
           

 No final do filme há a conclusão de que os pensamentos do jornalista eram verossímeis, aprestando distorções da verdade.
           

Contudo, o filme mostra como a atitude de um jornalista que falta com a ética e moral na profissão prevalece sobre a sociedade que busca informações do dia a dia. Por conseqüência da mentira, o jornalismo em geral desperta dúvidas e desconfianças por parte da população carente de autenticidade.

21/05/2009

Parecia verdade,mas não foi

"A Guerra dos Mundos"
Invasão dos marcianos

Em 1938, as técnicas de informação ainda se mantinham em progresso e eram limitadas ao alcance da realidade. No dia 30 de outubro daquele ano, ocorreu um fato que entrou para a história das telecomunicações.
               

 Houve a transmissão, pela rádio CBS, de um evento causador de pânico para muitas pessoas, Orson Welles usou a encenação do grupo de Teatro Mercury para a representação de “A Guerra dos Mundos”. O romance virou rádio-novela. Parecia ser narrada ao vivo, mas não passava de uma dramatização do romance homônimo de H.G.Wells, considerado um dos pioneiros da ficção científica por criar a imaginação da máquina do tempo, o homem invisível e os seres alienígenas. A história que abalou a população dos EUA, precisamente as cidades de Nova York e Nova Jersey, foi a migração da civilização marciana à Terra. Causando muita agitação nas pessoas que transitavam pelas ruas à procura de uma solução.
              

Em meio à época atordoada pelo Nazismo – sistema repressivo baseado na eliminação de pessoas e movimentos dissidentes – os americanos também se depararam com a eclosão desta “guerra” vinda de outro planeta. A transmissão da rádio relatava as notícias da real situação européia quando, em seguida, ocorria cortes na programação, sucessivamente, alimentando o imaginário do ouvinte. O noticiário era tão verossímil que mostrava o diálogo do locutor com um repórter fictício, Carl Phillips, que dizia ter encontrado um grande cilindro de metal. A transmissão incluia ainda sons que se reproduziam com uma velocidade de forma crescente e impressionante.
             

Logo ao fim dessas inúmeras mensagens transmitidas pela rádio, Orson Welles entrou em cena declarando a milhares se pessoas que tudo era uma farsa, desfazendo toda a encenação, pedindo desculpas por acreditarem na temida “Guerra dos Mundos”. Seu propósito era persuadir a mente da população a ter uma visão e uma posição pessoal sobre o mundo daquela época, sem serem orientados por opiniões pré-formadas. Por toda a difusão e tormentos causados nas cidades estadunienses, Welles recebeu processos judiciais acabando com  seu prestígio profissional.
              

 Todavia, este caso foi uma abordagem da falta de ética na profissão de um radialista. É sempre bom desconfiar de informações, hoje em dia isso fica bem visível na sociedade. Outras consequências foram o aperfeiçoamento da mídia, a objetividade e clareza na transmissão das notícias. Uma forma de despertar o caráter questionador do público alvo.